No 100, da Rua da Escola Politécnica, abrimos um ciclo de 4 conversas sobre contrastes que nos habitam e inquietam – guerra e paz, vazio e cheio, silêncio e ruído, inclusão e exclusão – para reflectir o mundo e repensar o que somos. Como habitualmente arte e reflexão entrecruzam-se ao longo do ciclo.
Vazio e Cheio
2 de julho | 19h30
Vivemos num mundo onde o “cheio” se tornou valor: mais objetos, mais informação, mais estímulos, mais performance. Mas será que isso nos preenche – ou nos ocupa? Por outro lado, o “vazio” é muitas vezes temido e simultaneamente desejado. Vazio é ausência, é desconforto, é espaço livre. E, pode ser também espaço de respiração, de nascimento, de escuta e reencontro.
Nesta conversa, partimos do contraste do vazio e do cheio, mas quisemos ir mais longe e mais fundo. Tivemos olhares diferentes que para além de se confrontarem, também se complementam.
A Maria João trouxe uma visão dos movimentos contemporâneos associados ao mundo da moda, nomeadamente o minimalismo e o maximalismo. A Margarida, da Casa Velha, com uma perspetiva de ecologia integral, que vê no vazio um espaço de liberdade, simplicidade, espiritualidade e reencontro com a natureza – trouxe um convite a “viver com menos”. Por outro lado, o Victor, com a sua experiência na gestão urbana da cidade, partilhou uma visão que explorou o “cheio” nas suas múltiplas dimensões: o lixo, o excesso de informação, os estímulos constantes, a pressão da vida e os desafios da sustentabilidade em contextos urbanos.
A Sandra concluiu a conversa retomando o essencial e deixando-nos com o desafio de continuar a pensar: será o vazio uma carência ou uma liberdade? E o cheio, uma plenitude ou uma prisão?
OS CONVERSADORES
Margarida Alvim
Margarida Alvim dedica-se à ligação entre ecologia e espiritualidade, coordenando desde 2019 a Casa Velha – associação que promove o reencontro com a natureza através de práticas simples, comunitárias e espirituais. Com uma longa experiência na dinamização de redes colaborativas, trabalhou na Geoterra e na Fundação Fé e Cooperação (FEC), articulando projetos que cruzam sustentabilidade, justiça social e participação. O seu trabalho é marcado por uma visão integradora, que procura regenerar relações — com a terra, com os outros e consigo própria.
Maria João Martins
Maria João Martins iniciou a sua carreira como jornalista no Diário de Lisboa e colaborou com diversas publicações como o Jornal de Letras, Vogue, Máxima, Visão e DIF. É licenciada em História e mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ao longo dos anos, aliou a investigação histórica à comunicação cultural, tendo lecionado na Universidade Lusófona e criado conteúdos para a rádio, como o programa de História na RTP – Antena 2. Com o seu olhar informado, revela-nos como o silêncio visual do minimalismo cedeu espaço à exuberância visual e expressiva do maximalismo.
Victor Vieira
Victor Vieira é engenheiro ambiental e tem dedicado a sua vida profissional à gestão urbana e à sustentabilidade em contexto citadino. Trabalhou mais de duas décadas no Departamento de Limpeza Urbana da Câmara Municipal de Lisboa, onde coordenou operações e estratégias para uma cidade mais limpa e habitável. Atualmente, integra a equipa da Lisboa E‑Nova, contribuindo para o planeamento ambiental e o desenvolvimento de políticas urbanas sustentáveis. O seu olhar técnico e prático parte da complexidade da cidade, onde o “cheio” se manifesta em múltiplas formas: resíduos, ruído, pressão e excesso.
AS PINTORAS
Sandra Bartolomeu
Estudou na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Desde cedo desenvolveu trabalho artístico nas áreas do desenho e da pintura, tendo ilustrado um livro infantil e participado recentemente na exposição coletiva Sinais de Esperança. Lecionou artes visuais no Colégio São Tomás, em Lisboa, e trabalhou no Museu Coleção Berardo.
É Serva de Nossa Senhora de Fátima.
Sofia Simões
Nasceu em Lisboa em 1970 e formou-se em Pintura Decorativa e Restauro em 1992 na Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, Lisboa. Mais tarde fez o Curso de Desenho e Pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa. O seu percurso profissional, desde sempre esteve ligado ao Desenho e Pintura.
Em 2010 inicia uma nova fase da sua carreira no mundo da Arte Contemporânea com Atelier em Lisboa.


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