Pode começar a Obra
18 de abril | 16h30
100, Lisboa
No dia 18 de abril, às 16h30, no 100, damos continuidade ao ciclo Luiza no seu tempo, e hoje, propondo um encontro que parte de uma frase breve, mas decisiva: «pode começar a Obra quando quiser».
Na História da Congregação, Luiza Andaluz recorda o telefonema recebido do Senhor Arcebispo de Évora: «Dizendo-lhe muito não lhe digo contudo nada senão: pode começar a Obra quando quiser.» Na verdade era bem conciso o recado e nada me era determinado, eu mais uma vez caminhava para a frente sem conhecer o caminho, mas seguia sem receio, estava certa de que trilhava via segura». Entre escuta e decisão, desenha-se aqui um dos traços mais profundos da sua vida: a confiança que sustenta a ação.
Este encontro propõe-se revisitar esse momento fundador, situando-o no contexto histórico e eclesial do início do século XX e reconhecendo nele uma dinâmica que permanece atual. A conferência O telefone que colocou tudo em movimento contará com a participação de Pedro Silva Rei, que abordará o significado daquele gesto no seu tempo, e da Irmã Perpétua Coelho, que refletirá sobre a liberdade, a decisão e a prontidão na resposta de Luiza, abrindo também à interrogação sobre o modo como, hoje, a Congregação continua a viver esta tensão fecunda entre escuta, decisão e ação.
Numa parceria com a Égide, o encontro prolonga-se num momento musical com Pedro Massarrão, no violoncelo, e João Maria Carvalho, na voz, onde a música se torna lugar de interioridade e ressonância, permitindo acolher, de forma sensível, o que a palavra fez emergir.
A peça, intitulada Pode começar a obra, expressão que assinala a autorização para o início da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, explora a ideia de começo e de anunciação, convocando a figura do Anjo, presente nas Sonatas do Rosário de Ignaz Franz von Biber. Como anunciador de um caminho que se inicia, o Anjo atravessa este momento como tema musical e simbólico, tecendo a vida e o pensamento de Luiza e projetando-os no presente, abrindo um futuro que a cada um é confiado começar.
PROGRAMA
18 de abril
100, Lisboa
16h30 | Conferência O telefone que colocou tudo em movimento
A importância daquele momento no contexto histórico, político e eclesial do Portugal de 1923
Pedro Silva Rei, CEHR-UCP
“Pode começar quando quiser”: liberdade, decisão e rapidez na resposta de Luiza Andaluz
Perpétua Santos, snsf
17h00 | Concerto Pode começar a obra
criação conjunta original de João Maria Carvalho e Pedro Massarrão, a partir de:
Cantico delle Creature
São Francisco de Assis
Suite no2 em Ré menor BWV 1008
Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Sonatas do Rosário – Passacaglia “Anjo da Guarda”, transcrição em Dó menor
Ignaz Franz von Biber (1644-1704)
Pedro J. Silva Rei
Nasceu em Lisboa em novembro de 1991. É licenciado em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, pela qual recebeu o Prémio Mérito e Excelência – Melhores Licenciados (2014). Em 2017 concluiu o Mestrado em História Contemporânea na mesma Faculdade com a dissertação: “Ser Bispo entre a Monarquia e a República. D. António Mendes Bello, um príncipe leonino em Portugal (1885-1911).” Atualmente encontra-se como Bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia no IHC-NOVA FCSH, com um projeto de doutoramento. Faz parte da equipa do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa no projeto de investigação «A história de uma congregação feminina na contemporaneidade portuguesa. As Servas de Nossa Senhora de Fátima: identidade e memória» (desde 2018). As áreas de investigação do seu interesse são a história religiosa contemporânea, tendo proeminência a relação entre a religião e a política, a secularização e a laicidade, a modernidade e a tradição.
Maria Perpétua Coelho dos Santos
É natural da Rexaldia, concelho de Torres Novas. Aos 22 anos entrou na Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima.
Licenciada em Ciências Religiosas (2006). Esteve em missão em diferentes comunidades em Portugal (Fundação Luiza Andaluz, Lamego, Centro Social do Valado de Frades, S. Tomé de Lamas e Guarda) e no Luxemburgo de 2008 a 2026 – passando por Bruxelas de 2010 a 2012 –, onde trabalhou com a população migrante e em organismos diocesanos, nomeadamente no catecumenado de adultos. No presente integra uma equipa de actualização da missão das Servas de Nossa Senhora de Fátima em Portugal.
Ao colocar os olhos em novos horizontes, e ao cruzar-se com pessoas de diferentes países e continentes, tornou-se um novo desafio que a abriu à riqueza do diferente.
João Maria Carvalho, voz
Nasceu na fronteira, em Elvas. Estudou Música, Literatura e Filosofia na Escola Superior de Música de Lisboa e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Atualmente, desenvolve um projeto de Doutoramento em Artes Performativas e Teologia, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e no Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião da Universidade Católica Portuguesa, beneficiando de uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Tem mantido um ofício musical contínuo, mas discreto. Colabora frequentemente com o UMColetivo. Dedica-se à composição de música litúrgica, paralitúrgica e não-litúrgica. Está a preparar o seu primeiro disco.
Pedro Massarrão, violoncelo
Iniciou os estudos de violoncelo no Conservatório Nacional com Teresa Portugal, mais tarde, com Luís Sá Pessoa. Licenciou-se na Escola Superior de Música de Lisboa com Paulo Gaio Lima e concluiu o mestrado na Codarts (Roterdão) com Jeroen den Herder. É bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e integrou o Trio Adamastor, distinguido no Prémio Jovens Músicos. Atua entre a interpretação historicamente informada e a improvisação livre, tendo colaborado com músicos como Alexander Rudin e Fábio Biondi. É fundador dos ensembles Altos do Bairro, Bairro Contínuo e Concerto 1755, apresentando-se em salas e festivais nacionais e internacionais.
+ informações através do email geral@lacc.pt ou do contacto 938 829 003

