A História nunca é feita por uma só pessoa. Há um ‘nós’, um corpo de pessoas que, na sua diversidade e riqueza, dão corpo à história; uma história tecida de várias histórias, cada uma moldada e dadora de forma.
É assim a história das Servas de Nossa Senhora de Fátima, a congregação religiosa fundada por Luiza Andaluz.
O ano de 2026 dá continuidade à rubrica onde conhecemos a vida das primeiras companheiras de Luiza – Memoreando, Histórias de quem criou –, agora alargando à missão que juntas realizaram. No dia 15 de cada mês, o mesmo dia em que iniciaram a vida em comum, no Colégio, em Santarém.
15 de setembro
Santuário de Fátima
Instalámo-nos, pois, na casa de Fátima. (Correspondência para a sua irmã Eugénia, pág. 19)
Nome: Santuário de Fátima
Data de início: 5 de maio de 1931
Data de 1931 a instalação da primeira instituição religiosa feminina em Fátima: as Servas de Nossa Senhora de Fátima (Notícias de Ourém, 2004).
Esta primeira casa da Congregação era, segundo Luiza Andaluz, comummente designada por «Casa de Fátima». Tratava-se de uma moradia localizada junto ao adro da Igreja Paroquial de Fátima, longe do Santuário, do qual distava quase três quilómetros. Por esse motivo, aquele pequeno grupo de Irmãs pouco tempo ali permaneceu.
As Irmãs dedicavam-se, em grande medida, aos trabalhos de paramentaria no Santuário. Para melhor poderem assumir esses serviços, o bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, propôs-lhes, em 1933, que passassem a residir numa casa pertencente à diocese, designada por «Abrigo de Nossa Senhora de Fátima», assim chamada por dar pousada aos peregrinos. Passaram então a assumir todo o trabalho logístico relacionado com o culto, sendo conhecidas como as «sacristãs do Santuário» (carta a Eugénia Santa Marta, 1934).
Um facto interessante foi o acolhimento, em meados da década de 1930, no primeiro piso do «Abrigo», de um pequeno grupo de carmelitas belgas que ali aguardavam a fundação do Carmelo de Fátima, enquanto se ultimavam as obras de construção.
A comunidade foi assumindo o tratamento de toda a roupa e dos objetos litúrgicos, o trabalho de hospitalidade aos peregrinos acolhidos no Abrigo e a confeção de hóstias para algumas igrejas da diocese, para as casas religiosas existentes em Fátima e até para o estrangeiro. As Servas tinham também a seu cargo a limpeza do Santuário e a ornamentação dos altares nos dias 13 de cada mês. Nos anos 40, entre maio e outubro, chegavam a preparar diariamente 50 altares, entre os quais os da Basílica e da Capelinha das Aparições.
Na década de 1950, as Servas asseguraram os serviços da cozinha e do refeitório do Seminário Menor da Diocese de Leiria, num edifício próximo do Santuário; começaram também a prestar serviços de enfermagem no Hospital do Santuário e assumiram a Casa Nova de Retiros, correspondente à atual Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores. Desta forma, a comunidade, que passou a residir na Casa de Retiros, deixou de ser uma das menores da Congregação para se tornar uma das maiores, chegando a ter entre 18 e 20 Irmãs. Este número só diminuiria para cerca de metade na década de 1990.
Em 1959, iniciou-se a colaboração no Museu do Santuário. Na década de 1970, as Irmãs passaram a assegurar os serviços de quartos e limpeza, cozinha e refeitório, rouparia e lavandaria, bem como o serviço de portaria da Casa de Nossa Senhora do Carmo.
A comunidade do Santuário de Fátima é, provavelmente, uma das mais polivalentes da Congregação. Para além dos trabalhos anteriormente referidos, empenhou-se, ao longo do tempo, no acolhimento de Irmãs, na realização de inúmeras visitas aos pobres, na angariação de fundos para os mais necessitados e, muito particularmente, para as missões. Dedicou-se também ao canto litúrgico, ao atendimento da livraria, à colaboração na catequese e ao cuidado do material médico dos consultórios do Santuário, prestando intensivamente serviços de enfermagem aos peregrinos e a outras pessoas.
As Irmãs cooperaram igualmente no Serviço de Informações, onde a própria Luiza Andaluz teve um papel ativo. Depois de terminar o seu mandato como Superiora Geral, passava ali parte do seu tempo, de maio a outubro. Apesar da idade avançada, Luiza Andaluz fazia de cicerone aos turistas, que lhe demonstravam grande estima, inclusivamente aqueles que não professavam a fé católica. O facto de ter fundado este Serviço de Informações é sublinhado no Decreto de confirmação das suas virtudes heróicas (Congregação para as Causas dos Santos, Decreto sobre as Virtudes — Beatificação e Canonização da Serva de Deus Luiza Maria Langstroth Figueira de Sousa Vadre Santa Marta Mesquita e Melo [v.d. Luiza Andaluz], Lisboa, 18 de dezembro de 2017).
A Congregação continua presente em Fátima, através da comunidade residente no Santuário, dando continuidade e renovando a missão que ali mantém desde a década de 1930. Hoje, embora com um número reduzido de Irmãs, marca presença na pastoral do Santuário e é responsável pelo Centro de Escuta Lúcia de Jesus.
15 de agosto
Asilo da Infância Desvalida de Coimbra
… demos organização e novo desenvolvimento ao Asilo de Coimbra… (Correspondência Geral, pág. 47)
Nome: Asilo da Infância Desvalida de Coimbra
Data de início: 6 de novembro de 1929
Data de encerramento: 1936
As origens desta obra remontam ao estabelecimento da Sociedade de Beneficência Protectora da Infância Desvalida, em 9 de Julho de 1835, por ação de um grupo de beneméritos professores universitários apoiados pela Reitoria da Universidade de Coimbra. No início dos anos 20 do século anterior, o Dr. Elysio de Moura – médico psiquiatra de renome, grande benemérito e professor universitário da Universidade de Coimbra – viria a assumir a presidência da direção do entretanto denominado Asilo da Infância Desvalida, e o próprio, ou com ajuda de terceiros, custeava muitas das despesas do mesmo. No final desta década Luiza Andaluz entra na história da obra como nos relata:
“A 29 [de janeiro de 1929] segui para Coimbra. A Carolina e a Maria das Dores de Souza Gomes, com quem eu já estava em contacto desde 1925 ou 1926, desejavam muito entregar-nos a direção interna e o trabalho do Asilo da Infância Desvalida de Coimbra, de que a primeira muito se ocupava juntamente com outras senhoras”. (História, pág. 127)
No início dos anos 30 o Asilo da Infância Desvalida tinha as valências de escola de instrução primária, trabalhos domésticos, costura, rendas e outros lavores, apoiando setenta e cinco crianças internas . Em 1936, após obras de ampliação, a lotação duplicou continuando-se “a manter tudo na mesma boa ordem e disciplina”. (História, pág. 133)
Durante o tempo em que a Obra de Santarém coordenou o Asilo, Luiza Andaluz, nas suas deslocações pelo país e de visita às diferentes obras sociais e educativas, passava e alojava-se diversas vezes no Asilo de Coimbra.
Duas mulheres do início da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima estiveram fortemente ligadas a esta instituição, e ambas morreram prematuramente, com pouco tempo de diferença: Maria das Dores Souza Gomes e Maria de Lourdes Nápoles de Carvalho.
A Maria das Dores, após a chegada das Irmãs a Coimbra, seguiu para Santarém e deu entrada no noviciado em 1932. Foi mestra de noviças de 1934 até início de 1936, altura em que, por motivos de saúde, foi transferida para o Asilo da Infância Desvalida de Coimbra onde morreu a 3 de agosto.
Maria de Lourdes foi superiora no Asilo, desde 6 de novembro de 1929 até 7 de agosto de 1936 (data da sua morte), «cargo que desempenhou com grande proficiência e carinho, sendo estimadíssima pelos diretores daquela casa de beneficência, Dr. Elysio de Moura e esposa, pelas Irmãs, empregadas e crianças, formando estas últimas com notável capacidade educadora, incutindo-lhes sãos princípios e amor ao trabalho».(História, pág. 123)
A partir desta data, a coordenação do Asilo foi entregue às Religiosas do Sagrado Coração de Maria, sendo mais tarde substituídas pela Congregação das Religiosas do Amor de Deus.
Hoje esta casa toma o nome do seu benfeitor, denominando-se Casa da Infância Doutor Elysio de Moura, continuando o trabalho em prol do acolhimento, instrução e educação de crianças e adolescentes.
15 de julho
Casa de Trabalho de Nossa Senhora do Rosário de Fátima – Évora
… as numerosas crianças, mais de 200, frequentavam as secções de costura e bordados e a escola anexa.
(Luiza Andaluz)
Nome: Casa de Trabalho de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
Data de início: 15 de dezembro de 1927
Data de encerramento: 1939
Esta obra social, em Évora, iniciou-se a pedido da Irmã Eglantina Navarro Soeiro como Luiza nos conta na História da Congregação:
«A Irmã Eglantina (…) tinha herdado de um seu tio sacerdote o usufruto de uma pequena casa – que estava legada ao seminário – mas que ela tinha muito gosto fosse desde já aproveitada para uma obra social. A casa estava montada, tinha mobília, roupas, loiças, fogão etc. tudo que era mais preciso (…) e uma vez posto em ordem abrimos ali a Casa de Trabalho de Nossa Senhora do Rosário de Fátima – Rua da Mouraria – Évora. Naquela data (…) as obras sociais tinham menos exigências nas suas instalações e nos diplomas do seu pessoal. Avaliava-se o valor de um instituto pelo número de crianças que dele beneficiava, pelo aproveitamento moral e pelo adiantamento escolar dos alunos». (págs. 121 e 122)
Casa de Trabalho N.ª Sra do Rosário de Fátima, 1930
Em 1930 a obra já contava com mais de uma centena de crianças, todas externas e meninas, «que frequentavam as secções de costura e bordados e a escola anexa, onde se lecionava instrução primária, habilitando as alunas para a 4.ª classe» (História, pág. 136).
Para acompanhar esta e outras obras, Luiza deslocava-se diversas vezes ao Alentejo, cuidando das situações pedagógicas, apoiando as Irmãs e pessoal assalariado e procurando colmatar as dificuldades financeiras. Para este último fim, Luiza conseguiu que as crianças pagassem um pequeno auxílio e, como nos diz «andei 3 dias a angariar quotas e procurei arrendar umas lojas que nos faziam falta». (Correspondência Geral, pág. 48). As doações em géneros e o «produto dos trabalhos feitos pelas pequenas que, sobretudo em malhas, executavam obras variadas e muito perfeitas, que se vendiam com facilidade» (História, pág. 136), eram também outras fontes de receita que, contudo, não cobriam as despesas.
A casa doada pela Ir. Eglantina já não comportava a afluência de alunas. Luiza consegue transferir, a 2 de novembro de 1930, a casa de trabalho para um «magnífico edifício na Praça do Geraldo, propriedade da [sua] prima Maria Inácia Fernandes Homem» (História, pág. 136).
Casa de Trabalho N.ª Sra do Rosário de Fátima, 1932-35
Aqui se manteve durante 4 anos até ser transferido em janeiro de 1935, para o Convento de Santa Helena do Monte Calvário. De facto, Luiza desde, pelo menos, 1929, vinha procurando forma de «arrancar à profanação» este edifício que «embora considerado monumento estava muito arruinado» (História, pág. 136).
«Insistia e tornava a insistir junto do Governo, nem já sei dizer as voltas que dei, nem por onde andei a pedir, mas fui lutando sempre sem desanimar embora as dificuldades fossem muitas e variadas. Eu pedia a casa para um instituto de beneficência social e fiz bem.» (História, pág. 136)
Devido às muitas dificuldades com que sempre lutaram, e também à restruturação da missão da Congregação na segunda metade da década de 1930, esta instituição foi entregue às Irmãs Adoradoras (Congregação das Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade) que, segundo Luiza, garantiriam a preservação do edifício e a continuação da Casa de Trabalho. O que aconteceu até 2007, tendo a seu cargo um lar de jovens em risco.
Em 2024, a Comunidade Sementes do Verbo assumiu os cuidados deste histórico Convento que agora conta com Adoração Perpétua e passou a ser também casa de acolhimento para encontros e retiros espirituais.
15 de junho
Casa de Proteção e Amparo de Nossa Senhora das Dores
… abriu-se, não sem grande esforço, a Casa Proteção e Amparo de Portalegre e mais tarde o Pensionato. (Luiza Andaluz)
Nome: Casa de Proteção e Amparo de Nossa Senhora das Dores e Pensionato de Nossa Senhora de Fátima
Data de início: 21 de Novembro de 1927
Data de encerramento: 1936
Foi a “boa Senhora D. Olinda Sardinha”, como refere Luiza, que solicitou a ajuda para abrir uma Casa de Regeneração, em Portalegre, no velho Convento de Santa Clara, quase abandonado e muito arruinado. Luiza ajudou Olinda Sardinha a alcançar a cedência do Governo para usufruir daquele edifício. “A boa amiga tratava de angariar os recursos precisos para a manutenção da casa e nós dávamos o nosso trabalho e dedicação. Com estes preparativos, que levaram tempo, foi decorrendo o ano de 1926 e ainda entrámos pelo de 1927 até bem adiante”. (História, pg 121)
Alunas da casa de proteção e amparo
A casa abre em novembro de 1927, com 80 raparigas. As dificuldades em manter a casa e o pessoal docente eram muitas.
Para obviar o problema, e dado que na cidade não existia nenhum colégio religioso para meninas, Luiza e as primeiras Irmãs decidiram “fundar ali um colégio nosso”. Organizaram inscrições e selecionaram “algum pessoal assalariado, um grupo de Irmãs, professoras e empregadas suficientes e competentes”. Assim, com “os possíveis lucros do colégio, uma vez paga a sua instalação, julgávamos poder fazer face a uma parte da despesa da Casa de Proteção” (História, pg 132).
Este colégio, o Pensionato de Nossa Senhora de Fátima, situado num prédio alugado na Rua da Carreira (e mais tarde na Rua da Corredora), abre a 6 de novembro de 1929. No colégio lecionava-se instrução primária e secundária, música, pintura e lavores. Em média frequentavam o colégio 8 a 10 alunas internas e 40 externas.
A ida da Obra de Luiza Andaluz para Portalegre aconteceu numa fase de estruturação da Congregação nascente. E essa é também a razão da saída destas instituições ainda antes da aprovação da Congregação, em 1939, dado que Luiza precisava de formar as futuras servas e concentrar a atividade da obra para a sua ereção canónica por parte da Igreja. Como refere em carta a Olinda Sardinha: “disse fecharia uma ou duas casas, não por estarem a correr mal, mas para poder concentrar pessoal em S. Mamede”. (Correspondência Geral, pg 102)
Assim, em 1936, entrega a Casa de Proteção e Amparo de Nossa Senhora das Dores às Irmãs Adoradoras e, em 1937, o colégio, Pensionato de Nossa Senhora de Fátima, às Irmãs Teresianas.
Ainda nesta fase de estruturação, o cónego Formigão propôs a Luiza a divisão da congregação em 3 ramos. Foi esta Casa de Proteção e Amparo de Nossa Senhora das Dores, que albergou o 3.º Ramo denominado de Regeneração, e dedicado à prevenção e apoio de raparigas vítimas de maus tratos ou de redes de tráfico humano.
Não se tendo acesso a quem se dedicou a estas 2 instituições durante cerca de uma década, sabemos que a Irmã Maria José Falcão foi a primeira superiora do colégio de Portalegre e que a Irmã Custódia Fialho esteve na Casa de Proteção e Amparo de Nossa Senhora das Dores.
Foi também nas muitas deslocações que Luiza fazia a estas instituições, que conta a história de, no comboio, ter ido a rezar o terço com o Padre Cruz:
… e lá fomos rezando de companhia, com grande satisfação minha, até Portalegre. (História, pg 199)
15 de maio
Patronato Nun’Álvares
Resolvi começar para eles uma pequena escola primária. (História, pág. 126)
Nome: Patronato Nun’Álvares
Data de início: 8 de janeiro (1929 ou 1930)
Data de encerramento: 1932
Conta-nos Luiza – sempre atenta às necessidades daqueles que a rodeavam – “como os rapazinhos da minha terra se queixavam muito de nós só nos interessarmos pelas meninas, resolvi começar para eles uma pequena escola primária. Para esse fim alugámos um rés do chão com quintal, na Travessa do Postigo de Santo Estevão” (História, pg 126)
Como ficava muito perto do colégio, situado no antigo palacete Andaluz, a gestão pedagógica era simplificada e os bons resultados académicos não tardaram a fazer-se sentir. Contudo, “os recreios eram de tanta apoquentação para nós, que tivemos [a] certa data de desistir de ensinar rapazes”. “A brincadeira deles era atirar-se uns aos outros como feras digladiando-se mutuamente …. e não se conseguia pôr ordem no recreio”.
Dado que a escola para rapazes era só até às 17h00, as instalações eram aproveitadas, também, para uma escola noturna para “criadas de servir”.
Apesar de o foco educativo de Luiza Andaluz, e da congregação nascente, ter sido as jovens raparigas, de diferentes escalões sociais, esta não foi a única obra educativa de Luiza para com os rapazes, sendo que os centros sociais, abertos nos anos 40, acolhiam frequentes vezes rapazes e raparigas.
Emblemático é o registo fotográfico, que consta no arquivo da congregação, sobre um asilo para rapazinhos em Évora, datado de 1923. Desconhecem-se outros registos que possam enquadrar a fotografia. Uma possível fundação? Uma área de alguma das casas de trabalho abertas em Évora? Uma visita de Luiza a este orfanato?
Estas pequenas histórias e registos deixam em nós espaço para podermos relatar o ensejo educativo, também para com os rapazes, deste grupo de mulheres, numa sociedade ainda muito marcada pela divisão de classes.
15 de abril
Asilo da Infância Desvalida do Lumiar
Era uma casa aberta em condições especiais. (História, pág. 75)
Nome: Asilo da Infância Desvalida do Lumiar
Data de início: verão de 1921
Data de encerramento: 1939 (provável)
O Asilo da Infância Desvalida do Lumiar surge quando Luiza Andaluz trabalhava no Instituto Profissional Feminino, antes ainda de equacionar fundar a Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima.
Este asilo nasceu da necessidade de transferir de local as alunas da instrução primária do Instituto Profissional Feminino, e de um convite do Prior do Lumiar que ambicionava ter também, na sua freguesia, uma casa de trabalho.
Oiçamos Luiza: várias vezes já nos tinha lá chamado mostrando-nos umas pequenas casas que ele julgava se poderiam adaptar para esse fim, mas em qualquer das que ele nos mostrou vimos ser impossível organizar a obra por ele desejada. Ultimamente tinha-nos falado em se alugar uma sala no Asilo da Infância Desvalida, na Rua Direita do Lumiar n.º 14, ele dizia-nos que esse asilo não se aguentava, que estava a acabar. Em conversa entre nós duas, a Henriqueta e eu, veio-nos à ideia o Asilo, que bom se pudéssemos por ali arranjar, por qualquer forma, uma solução para instalarmos as crianças, que tínhamos que fazer sair da Rua da Beneficência. (História, pág. 74)
A direção do asilo, que estava a lutar com graves problemas económicos, era composta por ourives de Lisboa que interditavam tanto o ensino religioso como qualquer referência à religião, de forma a preservar a identidade laica da instituição. Luiza, depois de muitas tentativas, conseguiu um acordo com a direção. A direção era masculina, mas consentiram que nós duas assistíssemos a todas as reuniões de direção e ficou isto exarado numa ata. Consentiam que nós levássemos para ali as nossas pequenas muitas das quais eram gratuitas ou pagavam pequena mensalidade, satisfazendo nós a despesa a mais que o Asilo fizesse. (História, pág. 75)
Contudo, em 1922, o diretor da Associação das Filhas de Maria (a quem pertencia o Instituto Profissional Feminino, integrado na Obra das Escolas dessa associação) quis colocar este asilo nas mesmas condições das outras escolas, o que levaria a destacar duas religiosas para a direção em substituição de Luiza e Henriqueta. Abriu-se então um diferendo com Luiza que estava bem consciente dos objetivos da direção do asilo, e que esta nunca permitiria que o asilo fosse governado por religiosas.
A identidade laica da obra, não constituía para Luiza problema, bem sabendo que sendo “uma casa aberta em condições especiais”, com a interdição de não se falar de Deus, a ação educativa nela realizada, elevava a condição humana. Esta era, para Luiza, a forma de testemunhar o amor e presença de Deus na humanidade, tornando aqui patente um traço da espiritualidade e da missão de inserção que viria a ser esteio da congregação que fundaria.
Assumindo a responsabilidade legal e moral do acordo assinado com a direção do asilo e depois de se aconselhar com D. António Mendes Bello, Patriarca de Lisboa, Luiza foi mantendo as suas funções no Asilo do Lumiar. Esta sua atitude levou à sua expulsão da Obra das Escolas, da Associação das Filhas de Maria.
Assim, em 1923, o Asilo da Infância Desvalida do Lumiar desliga-se desta associação continuando sob a responsabilidade de Luiza que o integra nas obras da congregação que, nesta data, dá os primeiros passos da sua fundação. Aliás, a preocupação de Luiza sobre como resolver a situação desta escola, terá sido objeto da sua oração e discernimento, no Carmelo de Echavacoiz, aquando iniciou a sua inspiração para fundar uma congregação que tomasse conta das escolas.
Alguns anos mais tarde, Luiza consegue junto da direção masculina do asilo que a capela do edifício – encerrada durante 18 anos – passasse a ter culto, tendo a celebração da primeira Missa ocorrido a 28 de janeiro de 1929. Luiza tinha razão ao dizer que esta, era uma casa que se trazia para o serviço de Deus e onde havia muito a aproveitar, mas era indispensável ir conduzindo tudo com muita prudência e diplomacia. (História pg 75)
Em 1931, o Asilo da Infância Desvalida do Lumiar apoiava 79 crianças internas e 40 externas e uns anos mais tarde 75 alunas internas e 75 externas, com instrução primária e lavores. O cuidado pelas crianças, levava a que, no verão, dispusessem de um tempo de férias em Caxias, juntamente com outras crianças das outras escolas.
No Asilo do Lumiar trabalharam várias servas. Através de cartas e outros registos sabe-se que a Irmã Custódia Fialho veio a pedido de Luiza, em 1931, sanar algumas situações de desorganização na instituição. Substituída em 1933, voltaria novamente de outubro de 1936 a outubro de 1938. Em 1935 a Irmã Maria José Falcão coordenou este asilo.
Porém, em cartas de Luiza à sua irmã Eugénia, de 1938 e 1939, verifica-se que o Asilo do Lumiar estava, como outras casas, apenas com colaboradores assalariados, apontando-se a sua desvinculação da congregação em 1939.
Passadas as décadas a casa mantém o seu propósito social albergando, hoje, a direção de ação social local norte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
15 de março
Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes
Tenho amor pelo Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes (Comunicações e Discursos, pág. 123)
Nome: Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes
Data de início: 21 de janeiro de 1925
Data de encerramento: em funcionamento – Fundação Luiza Andaluz
O Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes, hoje a Fundação Luiza Andaluz, está sediado num edifício com uma história longa que remonta ao século XIV, quando a Rainha Santa Isabel aí funda um hospital para socorrer e educar meninos e meninas enjeitadas como resposta ao abandono dos recém-nascidos após o parto. Este edifício albergou também, desde 1678 até 1910, as Irmãs Capuchas da Ordem Terceira de São Francisco, que deram o nome pelo qual comummente é conhecido: Convento das Capuchas.
Luiza Andaluz entra na história deste convento quando, em 1891, contando na altura 14 anos, o Cardeal D. José Neto, Patriarca de Lisboa, lhe solicitou que ajudasse as Irmãs Capuchas na obra educativa que tinham na cerca do convento. O seu empenhamento concretizou-se de imediato: contratou professoras, formou turmas e dividiu por idades as alunas a quem também dava catequese e levava à igreja do convento. Além disto, interveio no próprio edifício, construindo mais um pavilhão, apetrechando o espaço com mobiliário e empreendendo obras de restauração na igreja, que foram terminadas poucas semanas antes do dia 5 de outubro de 1910. Para fazer face às despesas, promovia frequentemente campanhas de angariação de fundos. Luiza Andaluz ergueu ali uma escola estruturada, e pedagogicamente inovadora, onde, mais tarde, assumiu funções como diretora. Além do externato para aulas de instrução primária, instituiu-se uma casa de trabalho, onde se ensinava costura e malha, entre outras coisas. Para esse efeito mobilizou amigas bem como a sua irmã Eugénia e a sua mãe.
Na sequência da implantação da República, deu-se a expulsão das Irmãs Capuchas, o despejo do edifício e o fim da atividade da escola. Não obstante, Luiza Andaluz, por insistência das suas antigas alunas, procurou dar-lhe seguimento, conseguindo a sua reabertura em 1914 numa casa alugada no Largo de São Julião e, mais tarde, transferida para o palácio de Anselmo Braamcamp Freire, primo de Luiza Andaluz. É neste palácio – hoje Biblioteca Municipal de Santarém – que Luiza acolhe também as cerca de 100 órfãs vítimas da epidemia pneumónica de 1917/18.
A necessidade de sair deste edifício, após a morte do primo, leva Luiza a empregar todos os meios para adquirir o antigo convento, em hasta pública, a 17 de fevereiro de 1924. No edifício permaneceu a roda a assinalar a primeira finalidade daquele espaço, enquanto Hospital dos Inocentes, e também a própria designação «Nossa Senhora dos Inocentes». Após as obras de requalificação, passam novamente a localizar-se ali as instalações do então Externato de Nossa Senhora dos Inocentes, já depois do alvará concedido pelo Governo Civil de Santarém. Foram também aprovados os estatutos e mudado o nome para «Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes» devido ao facto de o espaço não se destinar apenas a aulas mas funcionar também como residência para um número considerável das crianças que ali viviam e eram educadas.
As crianças passam para o edifício do convento a 21 de janeiro de 1925, pouco tempo depois da fundação da Obra (das Servas de Nossa Senhora de Fátima). Nesta instituição é visível o vínculo entre a vida de Luiza Andaluz e da sua «Obra de Santarém» com a vida da Congregação quando esta foi ereta, constituindo-se como a única obra que perpassou a vida de Luiza Andaluz, antes de iniciar a Congregação, e a vida da própria Congregação.
Esta instituição educativa conheceria, ao longo dos anos, sete designações oficiais diferentes, que resultaram da aprovação de novos estatutos, da necessidade de abarcar mais valências e, também, por conveniências burocráticas. Nesta linha está a mudança do nome para «Fundação Luiza Andaluz», em 1982, que além de suprir as exigências legais perpetuava também a memória da sua Fundadora.
A educação das alunas foi diversa ao longo do tempo. Incidiu na formação de natureza prática orientada para atividades domésticas e profissional. Algumas frequentaram cursos de costura, de corte Luc, aulas de bordados, de lavores, de culinária, de puericultura, de pintura, ou de piano, sendo recorrentemente que todas as educandas participavam nas lides domésticas. A instrução cristã das crianças acolhidas era uma vertente na qual se investia sobremaneira, registando-se a realização dos sacramentos de iniciação cristã.
O número de alunas foi variando tendo-se registado o valor mais elevado em 1956, com 106 alunas. Com o objectivo de que existisse na instituição um ambiente familiar, a partir do início da década de 1980, decidiu-se formarem-se pequenos grupos constituídos por 16 menores, no máximo, que viveriam com uma certa autonomia, sob a responsabilidade de uma das Irmãs.
As Irmãs que integraram a comunidade do Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes (ou nas denominações subsequentes) dedicaram-se, ao longo das várias décadas, a outras tarefas extrínsecas às funções diretas do instituto: davam catequese em algumas paróquias da cidade e nos arredores, pertenciam a grupos corais e a movimentos juvenis das paróquias; prestavam assistência religiosa a alguns doentes; promoviam nas famílias o batismo dos filhos e a efetivação do sacramento do matrimónio, entre outros.
Desde o início, Luiza Andaluz empreendeu grandes esforços para obter fundos que garantissem a sustentabilidade da instituição a fim de nada faltar às suas «protegidas». Para além de subscrições e de apoios estatais, existem relatos de Irmãs que estavam diariamente no mercado de Santarém, numa banca, a receber produtos e dinheiro dados pela população, ao passo que outra Irmã angariava dinheiro e víveres pelos arredores da cidade.
Passados 100 anos, do Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes até à Fundação Luiza Andaluz, já foram acolhidas mais de 1330 crianças. As educadoras de ontem, como as de hoje, poderão dizer como Luiza o assumiu num dos discursos às educandas:
«… conseguireis ser verdadeiramente felizes e é isso que de todo o coração vos deseja a vossa Diretora e a vossa Protetora, aquela que com justo título julga poder-vos dizer: – Sou vossa Mãe.»
(Luiza Andaluz, Comunicações e Discursos, pág. 123)
15 de fevereiro
Colégio de Nossa Senhora dos Inocentes
O meu plano (…) era fundar um colégio para educação de meninas, com ele daríamos razão de ser à presença de tantas senhoras que iriam aparecer junto de mim. (História, pág. 98-99)
Nome: Colégio de Nossa Senhora dos Inocentes
Data de início: 15 de outubro de 1923
Data de encerramento: 1975
O Colégio de Nossa Senhora dos Inocentes que, até 1941, se denominava Pensionato de Nossa Senhora dos Inocentes «abriu a 15 de outubro em honra de Santa Teresa de Jesus» (História, pág. 104) e coincide com a fundação da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima.
A estratégia fundacional de Luiza Andaluz explica-se pela situação política e eclesial de Portugal nos anos 20. Um tempo de perseguição das ordens religiosas e proibição de novas fundações.
«No seio da minha família, entre as numerosas pessoas das minhas relações por diferentes lados, no meio de Santarém, ninguém sabia nem sequer suspeitava do verdadeiro fim dos nossos esforços unidos no mesmo ideal de perfeição de vida religiosa, em que procurávamos servir a Santa Igreja. Continuámos assim encobertas durante alguns anos…» (História, pág. 104)
Inicialmente sediado no palacete Andaluz, o colégio, amplia as suas instalações para o Moinho do Fau em 1960, passando a designar-se por Colégio Andaluz. No projecto de construção previam-se 18 edifícios que incluíam residências de professoras, alunas, irmãs, aspirantes, uma capela, salas de catequese, um hospital, salas de estudo e de recreio, salas para lições de piano, ginásio, casa do criado, salão de festas e campos de jogos (além das galerias de ligação entre os edifícios).
O colégio, cujo lema era Malo mori quam foedari (traduzível por «antes morrer do que perder a honra»), leccionava para alunas internas e externas, sendo que o número das primeiras superava ligeiramente o das segundas, até 1930. Em 1943 o total de alunas ultrapassa a centena. Após uma quebra, em 1949, uma nova evolução positiva atinge o número recorde de 430 alunas, em 1968.
Na fase final do colégio, para além de muitos empregados, as irmãs asseguravam tarefas que iam desde a portaria ao atendimento telefónico, cozinha, limpezas, entre outras, sendo que um número considerável se dedicava exclusivamente ao ensino.
Era facultada instrução primária, secundária (ou liceal), mais tarde pré-primária e ainda o curso de Magistério Primário. Desde o início também ocorria o ensino de música, de lavores e de línguas… Era, aliás, a irmã Maria de Jesus Rodrigues, diretora do colégio e superiora da comunidade durante os seus primeiros anos, que lecionava Inglês, Francês e Português. Escrevia peças teatrais para serem apresentadas nos serões do colégio, publicadas num livro intitulado Serões do Colégio Andaluz. A partir de 1955, o colégio administra aulas de piano e constitui uma orquestra. Há encontros de cinema, promovendo-se, em 1964, sessões mensais de cinema cultural. Acresce, ainda o desporto e a dança num amplo conjunto de ofertas educativas dadas às alunas.
A Juventude Escolar Católica Feminina (JECF) teve um núcleo no colégio. As alunas organizavam festas da caridade e campanhas de recolha de brinquedos, livros e géneros alimentares, bem como roupas confecionadas pelas próprias, que distribuíam às pessoas mais frágeis e às educandas do Instituto de Nossa Senhora dos Inocentes, futura Fundação Luiza Andaluz. Acorreram, também, a situações trágicas imprevistas como no caso das inundações ocorridas em Alenquer pelos anos 60. O grupo de alunas da Legião de Maria realizava visitas a doentes no hospital, acompanhando a irmã Enfermeira. Um pequeno número de alunas e de irmãs colaborava na catequese.
Nos anos 60, o Ministério da Educação aceitou a proposta da coeducação no ensino primário, tendo recusado mais tarde o seu alargamento ao ensino preparatório.
As despesas que a magnitude do projeto do colégio comportava bem como a crescente massificação do ensino público e constrangimentos de natureza legislativa viriam progressivamente a decidir o encerramento do colégio já no período após o 25 de Abril. As suas instalações foram vendidas ao estado português e hoje albergam o campus do Instituto Politécnico de Santarém.
Encontro de alunas
«o Colégio ocupa no meu coração lugar de privilégio»
(Luiza Andaluz, Comunicações e Discursos, pg 102)
15 de janeiro
União Gráfica
Foi em junho desse ano – 1923 – quando apenas se elaboravam projetos e se recrutavam boas vontades, que demos entrada nesta missão. (Irmã Conceição Santos)
Nome: União Gráfica
Data de início: junho de 1923
Data de encerramento: 1975
Ainda antes da fundação da primeira comunidade da congregação, em outubro de 1923, já existia uma pequena “colmeia das servas” na Rua de Santa Marta, em Lisboa, no prédio adquirido pela Empresa União Gráfica, em março desse ano. Tarefa que, no dizer de Luiza Andaluz, “não esperávamos mas que aceitei gostosamente”. (História da Congregação, pg. 100)
A União Gráfica era propriedade da Conferência Episcopal Portuguesa, com a qual os bispos portugueses procuraram assegurar o lugar da Igreja na opinião pública do país, num tempo politicamente conturbado para a Igreja. Além do jornal Novidades – uma das principais razões de ser da União Gráfica – ali se imprimiu a Voz da Fátima e a revista Flama. Publicaram-se ainda catecismos, manuais de Religião e Moral, documentos do magistério papal, livros de devoção e também se comercializaram outros livros que exprimiam valores cristãos.
A União Gráfica produzia uma ampla gama de artigos religiosos ou litúrgicos, como alfaias e paramentos, pagelas, estampas, folhetos… As valências da empresa foram-se alargando e, em 1960, abriu-se mais uma secção exclusivamente para discos, cromos e imagens. Confeccionava hóstias e, vendia também, vinho especial para missas. Tinha uma oficina de paramentaria.
A existência de mulheres consagradas, como trabalhadoras numa oficina tipográfica, era algo inédito em Portugal à época, apesar de já existirem experiências noutros países. As Servas de Nossa Senhora de Fátima viviam em residência própria, dentro das instalações da União Gráfica, que incluía uma capela.
As Servas trabalhavam na União Gráfica como linotipistas (ou compositoras mecânicas), nas secções da composição, encadernação, expedição, no fabrico de hóstias, na casa de costura e bordados, na biblioteca, no armazém, no correio das Novidades, na receção de trabalhos para a tipografia e na caixa. Eram empregadas de balcão na livraria, no estabelecimento de artigos religiosos e na paramentaria. Exerciam também a profissão de datilógrafas, sendo elas que tinham ainda a seu cargo a transcrição dos exames nacionais. A título de exemplo, a Irmã Maria da Conceição Caetano foi durante 40 anos chefe do sector da encadernação liderando dezenas de homens e a Irmã Maria de Jesus Saraiva assumiu a revisão dos textos e coordenou um dos sectores mais importantes da empresa, supervisionando as tarefas relativas à escrita.
Falta legenda
As irmãs estavam sindicalizadas no Sindicato Nacional dos Empregados de Administração e Revisores de Imprensa do Distrito de Lisboa que, nesta época do Estado Novo, era um sindicato corporativo.
Muitas vezes o trabalho era árduo e duro, e pouco reconhecido. Tornava-se um desafio reservar o tempo necessário às horas de vida espiritual e comunitária, como religiosas que eram, e ainda ao trabalho apostólico e caritativo. O seu apostolado escondido, no contacto com a maquinaria, é bem expresso nas palavras da Irmã Isabel Eugénia, no seu trabalho de dactilógrafa: «Lá eu vou subir os degraus para ir para o meu altar».
Mas a dimensão apostólica da comunidade não se limitava às paredes da União Gráfica. Ao domingo, seu dia de folga, visitavam doentes no hospital de Santa Marta, dedicavam-se à catequese nas igrejas do Sagrado Coração de Jesus, de S. José e de Nossa Senhora da Pena, em Lisboa, e ainda em paróquias remotas como Caneças, S. João das Lampas e Almargem do Bispo, em especial nas povoações de Sabugo e Camarões.
A Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima e a União Gráfica nasceram e têm vivido a par, num auxílio mútuo. (Irmã Conceição Santos, História da Congregação, pg.101)
Relembre a rubrica do Peça a Peça sobre a União Gráfica.







































