De uma Belle Époque

Música no 100

O Luiza Andaluz Centro de Conhecimento, em parceria com a Égide – Associação Portuguesa da Artes, dá continuidade ao Ciclo “Música no 100”.  

1 de março, 2025 | 17h
De uma Belle Époque
Camerata Atlântica

PROGRAMA

16h15 | Abertura de Portas
17h00 | Concerto
Camerata Atlântica

 

Obras de Almeida Mota (1744-1817) & Antonín Dvořák (1841-1904)

 

Ana Beatriz Manzanilla, violino e direção musical
João Vieira de Andrade, violino
Pedro Muñoz, viola
Jeremy Lake, violoncelo

“Passar fazendo o bem à imitação do Mestre Divino, tornar felizes os que nos rodeiam, que doce programa de vida.”
Luiza Andaluz

Quando Luiza Andaluz dá o seu primeiro grito, na fria madrugada de 12 de Fevereiro de 1877, Portugal começava a desfrutar dos benefícios do ambicioso programa tecnológico e industrial que Fontes Pereira de Melo havia iniciado em 1851 e que o acompanharia pelo resto da sua vida. A Regeneração foi possível graças à conjuntura de relativa estabilidade que se havia conquistado com a ascensão ao trono de D. Maria II. Mas não só. A 1ª Revolução Industrial portuguesa teve o cunho muito pessoal do rei consorte de D. Maria II, D. Fernando de Saxe-Coburgo-Cotta, verdadeiro cidadão do mundo, que idealizava um Portugal mais próximo da Europa cosmopolita e dos seus avanços tecnológicos, ambição que transmitiu aos seus filhos, nomeadamente a D. Pedro, cujo reinado seria especialmente curto, e a D. Luís, que lhe sucederia. A Luiza Andaluz menina viveu este Portugal da primeira rede de caminhos de ferro, das primeiras carreiras de barcos a vapor, da introdução do telégrafo e do telefone, entre tantas outras maravilhas tecnológicas. Mas também tomou contacto, desde a sua Santarém natal, com as assimetrias que teimavam em perdurar num país onde o contraste entre o urbano e o rural, o popular e o elitista, o analfabeto e o intelectual era gritante. Das suas brincadeiras de menina resultou uma especial aptidão para a costura, qualidade que não tardou a utilizar de forma plena. Das roupinhas para as bonecas depressa evoluiu para a criação de vestuário destinado às crianças desfavorecidas. Elaborava autênticos enxovais a partir de tecidos que recebia na época natalícia. Esta foi uma atividade quase tão duradoura como a de educadora, verdadeira paixão que se revelou aos 14 anos, quando iniciou o seu caminho de amparo às meninas sem educação na Casa da Aula que as Irmãs Capuchas tinham na cerca do convento, bem perto da sua casa de família, em Santarém.

 

“De uma belle époque portuguesa”

A 2ª metade do século XIX marcou em Portugal, à semelhança do que acontecia um pouco por toda a Europa, um adensamento na procura da definição de uma identidade cultural nacional. Esta seria comum a todas as manifestações artísticas. Vivia-se o período denominado de “Belle Époque”, pleno dos confortos que as novas tecnologias resultantes da revolução industrial tinham colocado à disposição da sociedade cosmopolita, por vezes, como era o caso em Portugal, em forte contraste com a vivência no interior rural, mais ligado agora às grandes cidades, mas não o suficiente. A música no Portugal desta época, presente nos grandes salões e casas particulares, dá-nos bem conta da ambiência que se vivia, uma música que se assume como cenário natural das últimas décadas da monarquia constitucional. Dela nos dará conta o Quarteto de Solistas da Camerata Atlântica.