O Luiza Andaluz Centro de Conhecimento, em parceria com a Égide – Associação Portuguesa das Artes, apresenta a última sessão desta edição do Ciclo “Música no 100”.
4 de abril, 2025 | 19h
Um Stabat Mater por Anica
PROGRAMA
18h15 | Abertura de Portas
19h00 | Um Stabat Mater por Anica
À Conversa com… Padre Joaquim Teixeira,
Ordem dos Carmelitas Descalços“Luiza Andaluz e a Espiritualidade de Santa Teresa d’Ávila: primórdios de um caminho para a vida”
Concerto “Stabat Mater” G 532 (1781) de Luigi Boccherini
Carla Caramujo, soprano
Ana Pereira, violino
José Pereira, violino
Joana Cipriano, viola
Nuno Abreu, violoncelo
Catarina Gonçalves, violoncelo
“Nos caminhos da vida mantenhamos sempre o olhar confiante em Maria, que carinhosamente nos conduz.”
Luiza Andaluz
Concerto
1902, 18 de Setembro.
Um dia fatídico para a família Andaluz.
Ana Santa Martha, Anica, morre de forma totalmente inesperada.
Luiza Andaluz perdia, assim, precocemente a sua irmã mais nova.
A dor ficaria guardada para sempre no seu coração.
O desespero da perda encontra-se ainda hoje vincado na Bíblia familiar dos Viscondes de Andaluz.
Começava, assim, de forma trágica o novo século, quase como uma espécie de anúncio dos tempos turbulentos que se aproximavam para toda uma geração e, mais particularmente, para a jovem Luiza. Seria, não obstante, deste contexto que brotaria a sua maior obra, pois, como nos ensinou, “Quem ama a Jesus encontra conforto e alegria na dor.”
“Stabat Mater” consiste num texto escrito em verso pela pena inspirada do Papa Inocêncio III (1161-1216). A força emotiva contida no texto, evocando o sofrimento de Nossa Senhora perante a crucificação de Cristo, transformou-o em fonte de inspiração de inúmeros compositores no decurso dos séculos, elevando-o ao patamar de um dos mais importantes testemunhos da devoção mariana presente na herança cultural que a todos liga.
Na evocação daquele que terá sido, por ventura, o primeiro momento de profunda dor na vida de Luiza Andaluz, e aquele que certamente marcou o fim da sua fase de juventude, escolhemos o “Stabat Mater” de um compositor que, tendo nascido em Itália, viveu a maior e mais produtiva parte da sua vida em Espanha, Luigi Boccherini (1743-1805).
Amplamente conhecido pelos seus quartetos e quintetos de cordas, igualmente reconhecido como violoncelista virtuoso, a simples menção de Boccherini bastaria para despertar a convicção de que a escolha de uma obra sua seria garante de dignidade numa programação votada ao conhecimento da vida e obra de Luiza Andaluz. Não obstante, fomos mais longe.
Para além da beleza insondável do “Stabat Mater” G 532 de Boccherini, escrito, na sua versão inicial em 1781, para apenas uma soprano e um quinteto de cordas, desperta-nos a atenção o facto de ter sido dedicado ao Infante D. Luís de Bourbon (1727-1785), seu patrono e o maior mecenas do grande Francisco Goya. O interesse do tema prende-se com um pormenor que estabelece pontes com uma das maiores fontes de inspiração espiritual de Luiza Andaluz, Santa Teresa de Ávila. Foi precisamente em Ávila que este Stabat Mater foi escrito, mais concretamente no discreto palácio de la Mosquera, em Arenas de San Pedro.
Quem sabe se a Santa por quem Andaluz sentiu tão imensa devoção no decurso da sua vida, não terá também inspirado as lindíssimas linhas melódicas e o elegante jogo de equilíbrio entre a voz solista e as cordas que encontramos ao longo dos 11 números que compõem este “Stabat Mater”?

