O Luiza Andaluz Centro de Conhecimento, em parceria com a Égide – Associação Portuguesa da Artes, dá continuidade ao Ciclo de Concertos “Música no 100”.
15 de fevereiro, 2025 | 17h
Paz da Europa, op 17
João Domingos Bomtempo
Concerto integrado na temporada em andamento do Teatro Nacional de São Carlos
PROGRAMA
16h15 | Abertura de Portas
17h00 | Concerto
Paz na Europa, op 17
João Domingos Bomtempo (1775-1842)
Ana Franco, soprano
Rita Coelho, contralto
João Cipriano, tenor
João Oliveira, baixo
João Paulo Santos, piano e direção musical
Curadoria JENNY SILVESTRE
“Entre o passado que se afasta e o futuro que nos aguarda, está o presente onde temos deveres a cumprir”
Luiza Andaluz
O título nobiliárquico “Visconde de Andaluz” foi criado e atribuído, em 1811, a António Luíz Maria de Mariz Sarmento pelo Príncipe Regente de D. Maria I, futuro Rei D. João VI. Falamos de um tempo em que Portugal vivia uma espécie de orfandade resultante do exílio que as invasões napoleónicas haviam forçado à família real e respetiva corte, que se tinham fixado no Brasil, incluindo-se aqui D. António, bisavô de Luiza Andaluz. De resto, a atribuição do título de Visconde deu-se na colónia ultramarina, onde este antepassado direto de Luiza chegou a desempenhar o cargo de Governador da Ilha das Cobras.
Do lado de cá do Atlântico, a destruição provocada pela passagem dos exércitos bonapartistas era acentuada e a ingerência do nosso mais antigo aliado, a Inglaterra, era total.
Paralelamente, os princípios aclamados na Revolução Francesa de 1789 começavam a entranhar-se nos espíritos intelectuais, processo que nem mesmo a violência do surto imperialista de Napoleão tinha conseguido aplacar. O Antigo Regime vivia o seu último fôlego e a aurora da Monarquia Constitucional surgia no horizonte.
Em 1815, um jovem particularmente ativo e com um sentido de cidadania e patriotismo muito vincado, de nome João Domingos Bomtempo (1775-1842), aproveitou a breve paz resultante do Congresso de Viena para regressar a Portugal de um exílio forçado pela conjuntura. Embora este regresso tivesse sido bastante curto, fruto novamente dos tempos instáveis que se viviam, escreveu uma cantata evocativa da vitória sobre as invasões francesas e a paz, por certo bastante efémera, que daí resultou. A Cantata “A Paz da Europa”, op. 17, é uma das obras mais emblemáticas de Domingos Bomtempo, compositor profundamente engajado com o seu tempo, homem que se notabilizou não apenas pela qualidade da sua produção musical, como pelo seu empenho em contribuir para a promoção da cultura.
Em 1836, integrou o grupo que, liderado por Almeida Garrett, criou o Conservatório Geral de Arte Dramática, tendo sido o primeiro diretor da escola de música, acumulando com as funções de mestre da Real Capela e de professor de piano da corte, a mesma corte a que pertenceram os sucessivos Viscondes de Andaluz.


