A História nunca é feita por uma só pessoa. Há um ‘nós’, um corpo de pessoas que, na sua diversidade e riqueza, dão corpo à história; uma história tecida de várias histórias, cada uma moldada e dadora de forma.
É assim a história das Servas de Nossa Senhora de Fátima, a congregação religiosa fundada por Luiza Andaluz.
Hoje – 15 de Março de 2025 – celebrando o seu batismo, dia de uma nova criação, de uma nova pertença e de receção do kharisma ou do dom divino –, o LA CC lança uma nova rubrica dedicada às primeiras companheiras com as quais Luiza Andaluz construiu aquela obra que se queria pôr ao serviço de Deus e do mundo.
15 de dezembro
Ir. Vitorina Mendes
“Sou dedicada, franca, sincera e verdadeira, e não tolero quem o não seja. Apaixonada. Desejo saber os porquês, sou sensível à injustiça”… revela-nos Vitorina de si própria.
Nome: Maria Vitorina Mendes
Data de nascimento: 11 de janeiro de 1886 (Pé de Cão, Torres Novas)
Primeiros Votos: 11 de outubro de 1939
Data de falecimento: 28 de novembro de 1968 (Colégio Andaluz, Santarém)
Vitorina Mendes terá sido uma das senhoras a quem Luiza Andaluz expôs, na reunião de Vila do Paço (Torres Novas), as suas ideias ainda muito vagas sobre a fundação da Congregação, dada a proximidade da sua residência, em Pé de Cão. Estávamos a 17 de outubro de 1922. Vitorina participou na peregrinação de 13 de maio de 1923, a Fátima, foi das primeiras a chegar para preparar a abertura do colégio a 15 de outubro desse mesmo ano, e professou, com Luiza Andaluz e o primeiro grupo, a 11 de outubro de 1939. Fez os votos perpétuos a 2 de outubro de 1944.
Colaboradora próxima de Luiza, nos primeiros tempos da fundação, é em sua casa que se realiza um dos retiros “O nosso retiro neste ano de 1927 teve lugar em Pé de Cão, em casa da nossa Irmã Maria Vitorina Mendes, de 26 a 30 de Abril”. (História da Congregação, p. 121)
Nos princípios da “Obra” esteve ao serviço, como ecónoma, no Pensionato de Nossa Senhora dos Inocentes (Santarém), até 1924, data em que foi para a União Gráfica, como superiora, até 1932, seguindo-se, ainda na mesma linha de missão, a Casa Véritas, na Guarda, até 1937. Regressa à União Gráfica e, em 1941, volta a Santarém, passando breve tempo pelo Pensionato da Golegã. Já no final da sua vida fez parte da comunidade do Colégio Andaluz, onde colaborou na costura.
Com habilitações académicas básicas, ela própria não se considera inteligente. Contudo, é dotada de um temperamento forte, aliado à simplicidade. Muito ativa e trabalhadora, conta-se que, na véspera da sua morte, vendo que não poderia acabar alguns trabalhos manuais que tinha começado, os distribuiu pelas outras Irmãs da comunidade.
15 de novembro
Ir. Custódia Fialho
Foi uma das primeiras e mais devotas colaboradoras da futura Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima.
Nome: Custódia do Santíssimo Sacramento Martins Fialho
Data de nascimento: 3 de agosto de 1892 (Viana do Alentejo, Évora)
Primeiros Votos: 31 de março de 1940
Data de falecimento: 13 de outubro de 1946 (São Mamede, Lisboa)
Custódia Fialho foi das primeiras a chegar a Santarém para abrir o colégio, a 15 de outubro de 1923. Quando Luiza escreve na História “O Colégio já tinha assim professoras de instrução primária e secundária, Francês, Lavores e Pintura” (História da Congregação, p. 104), a professora de pintura terá sido certamente Custódia. Tinha habilitações de francês, desenho, pintura e arte aplicada, e um enorme gosto por ensinar.
Não admira, por isso, que tenha sido professora em Santarém, no Pensionato de Nossa Senhora dos Inocentes, num Colégio em Estremoz, regente na Casa de Proteção e Amparo de Nossa Senhora das Dores, em Portalegre, e no Asilo da Infância Desvalida do Lumiar. Nos últimos anos da sua vida, na casa de São Mamede, em Lisboa, foi secretária da Obra dos Retiros, uma obra em que as Servas de Nossa Senhora de Fátima recebiam diversos grupos para retiro, recolecções e outros momentos de aprofundamento espiritual, onde se incluíam refeições ministradas pela casa.
Custódia Fialho, Claustro do Convento das Capuchas, óleo sobre tela, 1927
Infelizmente, da obra artística de Custódia Fialho, apenas se guarda uma pintura do claustro do Convento das Capuchas.
Com Luiza Andaluz, Custódia, manteve sempre uma relação muito próxima, não obstante os temperamentos de ambas nem sempre coincidirem e Luiza chegar a dizer em carta à sua irmã Eugénia, em 1932, que a Custódia lhe tem “dado alguns cuidados”. Mas Luiza conta muito com o trabalho e saber da Irmã Custódia e nas abundantes referências na correspondência (cerca de 40 cartas) deteta-se o quanto Custódia é esteio nas diferentes obras e, como a degradação da sua saúde, em especial na década de 40, é motivo de preocupação e de assoberbamento de trabalho: “a Irmã Custódia tem estado de cama e custa dar-se volta a tudo” (Correspondência para Irmãs da Congregação, p. 193).
Na estampa/memória impressa na sua morte refere-se que “Toda a sua vida se pode resumir nesta palavra: Caridade!” fazendo-se alusão, também, ao seu grande coração que se compadecia por todos os que batiam à porta e lhe apresentavam as suas necessidades.
Luiza, na História, dedica-lhe 2 parágrafos que terminam com alguma mágoa:
“Aqui [São Mamede] faleceu santamente a 13 de outubro de 1946; esperava ainda encontrá-la com vida no meu regresso de Fátima onde tinha ido como de costume nesta data, mas à morte desta Irmã não permitiu Nosso Senhor eu assistisse. (História da Congregação, p. 195).”
15 de outubro
Fundação da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima
As futuras Servas vinham chegando a pouco e pouco e já começavam a ajudar-me imenso, diz-nos Luiza.
Nome: Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima
Data de Fundação: 15 de outubro de 1923, Santarém
Data do decreto diocesano: 11 de outubro de 1939, Lisboa
Data do decreto pontifício: 13 de outubro de 1981, Roma
Eglantina Navarro Soeiro, de Évora
Maria Isabel Lopes, dos Amiais de Santarém
Custódia Fialho, de Viana do Alentejo
Maria de Jesus Rodrigues, de Torres Novas
Maria Vitorina Mendes, de Pé de Cão
Maria Helena Mendes, de Torres Novas
Júlia Gonçalves, de Elvas
Maria Eulália Segundo, de Vila de Rei
Cecília Santos, de Santarém
Manuela Pereira Nunes, de Santarém
Eglantina Navarro Soeiro, de Évora
Maria Isabel Lopes, dos Amiais de Santarém
Custódia Fialho, de Viana do Alentejo
Maria de Jesus Rodrigues, de Torres Novas
Maria Vitorina Mendes, de Pé de Cão
Maria Helena Mendes, de Torres Novas
Júlia Gonçalves, de Elvas
Maria Eulália Segundo, de Vila de Rei
Cecília Santos, de Santarém
Manuela Pereira Nunes, de Santarém
15 de outubro
Fundação da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima
As futuras Servas vinham chegando a pouco e pouco e já começavam a ajudar-me imenso, diz-nos Luiza.
Nome: Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima
Data de Fundação: 15 de outubro de 1923, Santarém
Data do decreto diocesano: 11 de outubro de 1939, Lisboa
Data do decreto pontifício: 13 de outubro de 1981, Roma
Luiza Andaluz, Maria Isabel Lopes, Maria Vitorina Mendes, Irmãs e alunas. Colégio Andaluz, Santarém (data atribuída: 1963)
O dia 15 de outubro de 1923 foi a data marcada para abrir o colégio, berço da primeira comunidade das Servas de Nossa Senhora de Fátima.
Este mês, o Memoreando lembra a história, não de uma, mas das várias companheiras de Luiza que há 102 anos iniciaram uma vida em comum.
O Colégio já tinha assim professoras de instrução primária e secundária, Francês, Lavores e Pintura, assim como tínhamos também escriturária, governante, roupeira e cozinheira. Fizeram-se os horários, marcaram-se os cargos, dividiu-se o trabalho. As meninas entraram na data que lhes fora marcada e o Colégio abriu a 15 de outubro em honra de Santa Teresa de Jesus. (História da Congregação, p. 104).
Este primeiro grupo procurava adaptar a sua vida religiosa – segredo que levavam no coração e que só por elas era conhecido – de modo a não estorvar o trabalho de educação no colégio.
Para rezarmos em comum o pequeno ofício de Nossa Senhora, fechávamos à chave as portas da capela, onde conservávamos Nosso Senhor no Sacrário desde o retiro de maio. Também fechávamos as portas da sala contígua e rezávamos muito baixinho… (História da Congregação, p. 104 e 105).
A este primeiro grupo de 11 mulheres – das quais nem todas vieram a ser Servas de Nossa Senhora de Fátima – que viveram e trabalharam lado a lado com Luiza Andaluz, descobrindo e delineando o caminho, passo a passo, decisão a decisão, deve-se a fundação da Congregação.
15 de setembro
Ir. Eglantina Soeiro
Conta Luiza Andaluz que Eglantina Navarro Soeiro foi uma das primeiras a chegar a Santarém, naquele ano de 1923, para iniciar o Colégio e a futura Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima (História da Congregação, p. 104). De facto, os registos colocam a data de entrada na congregação a 3 de setembro de 1923.
Nome: Eglantina de Lourdes Navarro Soeiro
Data de nascimento: 24 de janeiro de 1893 (São Bartolomeu, Vila Viçosa)
Primeiros Votos: 11 de outubro de 1939
Data de falecimento: 9 de junho de 1986 (Qta do Candeeiro, Loures)
Tendo pertencido à primeira comunidade fundadora da congregação, a Irmã Eglantina colaborou e conviveu de perto com Luiza Andaluz. Regista-se apenas uma carta que Luiza lhe escreveu, desde Lisieux, em 1930, mas há várias referências de Luiza a esta Irmã noutras cartas onde se pode captar o quanto Eglantina Soeiro foi um pilar forte e de confiança para a estruturação da congregação nascente, apesar da sua formação mais humilde (2.ª classe).
Aliando uma vida de intensa oração ao trabalho, exerceu a sua missão em diversos locais: Pensionato de Nossa Senhora dos Inocentes em Santarém, chefe de oficina na União Gráfica, em Lisboa (de 1924 a 1931 e de 1935 a 1936), diretora do Patronato das Caldas da Rainha, superiora do Hospital de Leiria, superiora do Patronato da Golegã, trabalhos domésticos na Casa de S. Mamede em Lisboa, no Asilo Creche de Nossa Senhora dos Inocentes (hoje Fundação Luiza Andaluz) em Santarém, no Pensionato de Benfica e no Seminário de Vila Viçosa, auxiliar de lavores no Centro Social da Ericeira (13 anos), e passou os últimos anos da sua vida na Quinta do Candeeiro, em Moscavide.
Do que sabemos da sua longa vida referimos, aqui, dois episódios elucidativos do seu serviço e dedicação. Um, contado por Luiza, relata como a Irmã Eglantina ajudou uma das raparigas do Patronato das Caldas da Rainha a libertar-se de uma situação familiar degradada e a reconstruir a sua vida (História da Congregação, p. 143-144). O outro esclarece-nos sobre a construção da Capela de Fonte Boa dos Nabos, e do empenho de Eglantina. Pensada a necessidade de um lugar de culto naquela localidade, que dista 2,5 km da Ericeira, a Irmã Eglantina contacta alguns homens da terra para saberem o que pensam e ao que recebe como resposta: “Está aqui quem lhe diz, nunca haverá uma capela em Fonte Boa dos Nabos”. A Irmã responde decididamente: “Não se faz? Quando Deus quer tudo se pode”. Eglantina Soeiro lança-se, então, na aquisição do dinheiro e acompanha toda a obra. Já muito idosa, ainda confecciona um conjunto completo de panos de altar para a capela.
Nos seus últimos anos, na Quinta do Candeeiro, onde também residia o Noviciado, a sua presença alegre e comunicativa foi um testemunho importante para as mais novas que desejavam iniciar o caminho na Congregação. Frequentemente a visitavam e rezavam o Rosário junto da Irmã Eglantina que, apesar de já não falar, comunicava com a sua expressão e olhar vivo. Permitia e alegrava-se com as festas que faziam junto dela e, assim, recebiam a força daquela que, no já longínquo ano de 1923, acolheu o apelo de colaborar com Luiza na fundação de uma nova Congregação.
15 de agosto
Ir. Maria de Lourdes Nápoles
No mês do dies natalis de Maria de Lourdes de Almeida Nápoles de Carvalho, o Memoreando dá a conhecer uma mulher que, tendo integrado a Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima nos seus primeiros anos, não chegou a professar os seus votos religiosos, por ter falecido antes da data da aprovação canónica da Congregação.
Nome: Maria de Lourdes de Almeida Nápoles de Carvalho
Data de nascimento: 11 de março de 1986 (Alcântara, Lisboa)
Primeiros Votos: ——
Data de falecimento: 7 de agosto de 1936 (Coimbra)
Maria de Lourdes era de uma família das «antigas relações» de Luiza Andaluz. Segundo ela mesma conta, em 13 de janeiro de 1928, tendo visitado a sua família, ela partiu na sua companhia para Santarém e nesse mesmo ano começou a trabalhar com o grupo das religiosas Servas.
Desde o dia 6 de novembro do ano seguinte até à data da sua morte, a 7 de agosto de 1936, Maria de Lourdes foi superiora do Asilo da Infância Desvalida, de Coimbra.
Conta Luiza Andaluz:
Maria de Lourdes era de grande valor: muita bondade e piedade aliada a grande humildade e muitas faculdades de governo e organização para a nossa vida de apostolado social. […] desempenhou com grande proficiência e carinho [o cargo que lhe estava confiado], sendo estimadíssima pelos diretores daquela casa de beneficência, Dr. Elísio de Moura e esposa, pelas Irmãs, empregadas e crianças, formando estas últimas com notável capacidade educadora, incutindo-lhes sãos princípios e amor ao trabalho. […] Muito haveria para dizer em louvor das grandes virtudes que em grau heróico soube praticar. […] Perdi nela uma grande auxiliar e uma grande amiga, tinha por mim muito respeito e enorme dedicação. (História da Congregação, p.123-124)
Os pensamentos que Luiza Andaluz registou desta mulher durante os 8 anos que viveu na Congregação, dão nota da grande intensidade da sua vida interior, animada pelo amor ardente a Cristo, a quem entregava a sua vida, praticando o bem.
Sem amor ao sacrifício, não há verdadeiro amor a Jesus. Feliz a alma que sabe compreender quanto Ele ama aqueles que o servem sem egoísmos e com absoluta abnegação.
Queremos ser santos? Mãos à obra: torcer, sacrificar-nos e amar, amar muito……
Quem deseja amar muito a Jesus deseja sofrer muito por Ele. Coração no Sacrário, olhos na Cruz: a força não nos faltará.
Ao pensar na morte repetia muitas vezes as seguintes palavras, escolhidas, por isso, para o seu postal fúnebre: Por Vós fiz tudo o melhor que pude e o melhor que soube. Aqui me tendes Senhor. (História da Congregação, Doc. IX)
15 de julho
Ir. Louise Maria Groëtz
Neste mês, o Memorando dá a conhecer uma das primeiras mulheres que começou a trabalhar com Luiza Andaluz na sua Obra Apostólica, sendo contada entre as suas mais fiéis colaboradoras. O seu nome é Louise Maria Groëtz, também conhecida na congregação por Madre Luísa Groëtz.
Nome: Louise Maria Groëtz
Data de nascimento: 29 de junho de 1893 (Beja)
Primeiros Votos: 11 de outubro de 1939
Data de falecimento: 7 de julho de 1964 (Lisboa)
Sobre ela, Luiza Andaluz escreveu: dedicada e fiel cooperadora durante tantos anos, trabalhadora incansável nas diversas casas da congregação (História, § 695).
Depois de exercer a missão de Superiora na União Gráfica, no Colégio Andaluz e no Noviciado, Louise fez parte do primeiro Conselho Geral da Congregação durante 17 anos e veio a assumir a missão de Superiora Geral em 1953, sucedendo-se a Luiza Andaluz quando, por opção, deixou esta missão da condução da congregação.
Com ascendência francesa, esta Serva de Nossa Senhora de Fátima trouxe para esta família religiosa a fina cultura de que a dotou a sua esmerada educação, provendo-a da fluidez do francês, de habilitações na área de História, Geografia e de bordados, e de um trato delicado com todos.
As pagelas, o seu pequeno caderno de apontamentos pessoais, as orações e as fórmulas de profissão religiosa, escritas a seu próprio punho, deixam entrever a sua eloquência. Ela percebe-se especialmente na fórmula de profissão de Votos Perpétuos, escrita com a sua própria caligrafia e acompanhada por um elemento decorativo, à maneira de iluminura. Este, ostenta símbolos significativos do carisma e da vocação de Serva, figurados com um minucioso cuidado: a candeia acesa – emblema das Servas de Nossa Senhora de Fátima –, encimado por um M de Maria, a cruz coroada de espinhos e a expressão ecce ancilla domini (Eis a serva do Senhor); na base, o lírio branco e o terço, remetem para Maria, cujas virtudes a Serva se propõe imitar. A este ideal de vida se entregou empenhada e apaixonadamente esta mulher.
O final da sua vida, passou-o na comunidade do Noviciado, dando um valioso contributo na formação das Noviças. Foi aí, precisamente no mês de julho do ano de 1964 que veio a falecer.
15 de junho
Ir. Maria Isabel Lopes
Neste mês de junho, o Memorando dá a conhecer uma das primeiras Servas que viveram e dedicaram a sua vida na União Gráfica, em Lisboa, uma das missões inaugurais da Congregação, iniciada em 1923, precisamente em junho. Referimo-nos à Irmã Maria Isabel Lopes.
Nome: Maria Isabel Lopes
Data de nascimento: 19 de abril de 1900 (Santarém)
Primeiros Votos: 11 de outubro de 1939
Data de falecimento:
17 de outubro de 1988
Esta mulher, natural da mesma cidade natal de Luiza Andaluz, entrou na Congregação a 15 de outubro de 1923, aquando do início da vida comunitária. Maria Isabel serviu a “obra” nascente em duas das três missões que a obra, então, tinha a seu cargo: o antigo Pensionato de Nossa Senhora dos Inocentes, em Santarém, e a União Gráfica, já referida. Desta missão sairia em dezembro de 1932, apenas para fazer o Noviciado, e uma vez terminado, para lá regressou até 1953.
Data de 12 de junho desse mesmo ano o seu diploma de habilitações para o ensino das disciplinas do curso geral do ensino liceal particular, que exerceu efetivamente no Colégio de Nossa Senhora dos Inocentes – outra obra pertencente à Congregação, desde a sua origem em 1923.
Juntamente com Luiza Andaluz e com muitas do primeiro grupo, professou os primeiros votos a 11 de outubro de 1939 e a 2 de outubro de 1944, fez a profissão perpétua.
Após passagem por muitas comunidades, na fase final da sua vida, dedicou o seu tempo à organização do Arquivo Histórico da Congregação, na Casa de São Mamede, cargo que exerceu com grande zelo e esmero, conhecedora que era das raízes desta obra que acompanhou desde a nascença e que amava.
Veio a falecer no mesmo mês que dissera o seu «Sim» para toda a vida como Serva de Nossa Senhora de Fátima.
15 de maio
Ir. Maria Genoveva Santos
Em 13 de maio de 1923, memória daquele dia tão significativo em que Maria desceu do Céu à terra, precisamente na Cova da Iria, e apareceu a três crianças pastoras «mais brilhante que o sol» a apontar o caminho para o reino dos Céus, Luiza Andaluz peregrina até Fátima com doze senhoras para confiar à proteção maternal da Virgem Maria aí aparecida, o projeto que ainda nem nome tinha. Neste pequeno grupo vai uma outra Maria do Céu, cujo nome de batismo era Genoveva.
Nome: Maria Genoveva Santos
Data de nascimento:
10 de dezembro de 1868 (Santarém)
Primeiros Votos: 11 de outubro de 1939
Data de falecimento:
14 de março de 1964
Esta mulher de grande modéstia, simplicidade e serenidade, sobre quem não há muitos registos, pertencera à Ordem Terceira Franciscana do Convento das Capuchas, vulgarmente conhecida por ‘Capuchas’. Aí tomara o nome de Maria do Céu. Com a extinção da Ordem aquando da implantação da República em 1910, Maria Genoveva junta-se ao pequeno grupo de senhoras ligadas a Luiza Andaluz. Em janeiro de 1926 dá entrada na Congregação, ficando a integrar o recém criado ramo da Reparação, na Comunidade da Rua da Arriaga. Cinco meses depois, foi nomeada Superiora daquela mesma comunidade e aí ficará até 1929.
A Fátima, regressará por duas vezes para exercer a missão de Superiora da comunidade da casa-abrigo, colaborando nos serviços do Santuário. Nos últimos anos da sua vida esteve em missão na comunidade do Noviciado, a Quinta do Candeeiro, em Moscavide.
A 14 de março de 1964, subia da terra ao Céu esta Maria. Assim relata Maria de Jesus Saraiva, Superiora Geral de então:
Perdeu o Noviciado um testemunho vivo de obediência de Vida Religiosa, e todos os que com esta nossa Irmã contactaram, a ocasião de partilharem junto da Irmã Maria do Céu, duma alegria pura, que somente as almas puras e simples como ela, sabem irradiar.
[…] Não esqueçamos os exemplos de virtude desta nossa Irmã, que tão bem soube realizar na sua vida as palavras do Senhor: “Se não vos tornardes como criancinhas, não entrareis no reino do céu” [Mt 18,3].
[…] Vale a pena viver santamente para podermos cair serenamente nos braços de Deus, quando nos chamar. A vida é breve!… E ainda que tivesse a duração de 95 anos como a da Irmã Maria do Céu, é breve.
15 de abril
Ir. Maria de Jesus Rodrigues
Em abril, mês em que nasceu a Irmã Maria de Jesus Rodrigues, o Memoreando faz memória desta mulher que integrou o primeiro grupo que viria a constituir-se como Congregação, fundada por Luiza Andaluz.
Nome: Maria de Jesus Rodrigues
Data de nascimento: 12 de abril de 1885 (Torres Novas)
Primeiros Votos: 11 de outubro de 1939
Data de falecimento:
10 de novembro de 1958
Maria de Jesus Rodrigues, natural de Torres Novas, foi uma das treze que peregrinou à Cova da Iria a 13 de maio de 1923, para aí consagrar à Virgem Maria aparecida em Fátima a Congregação nascente e que a 15 de outubro do mesmo ano iniciou a vida comunitária. A 11 de outubro de 1939 fez os Primeiros Votos religiosos, juntamente com Luiza Andaluz.
Pertenceu ao primeiro Governo Geral como secretária-geral (1936-1953), foi superiora local em várias comunidades, e, desde a primeira hora, foi a fiel e dedicada colaboradora de Luiza Andaluz. Apesar disso, há um único escrito conhecido de Luiza para esta Irmã:
À boa Madre Maria de Jesus mais uma vez agradeço com reconhecimento toda a sua dedicação e carinho e lembra-lhe queira repetir ao Deus Menino as simples palavras desta estampa que lhe oferece a irmã muita grata ([s/l], Retiro de 1951).
As pequenas folhas longitudinais onde registou as estrofes do poema «Creio em Vós, Senhor», é talvez um registo imediato da sua pena, a ser datilografado ou passado com caligrafia cuidada num caderno pautado. Quer o conteúdo destas linhas, quer o processo cuidado da sua conservação – comum a outros poemas – dão nota do nível de cultura desta mulher, da sua sensibilidade plástica, estética e literária, mas sobretudo da delicadeza e fervor da sua vida interior, isto é, da sua relação íntima com Deus; da vibração da luz – elemento eminentemente pascal, metáfora da presença viva e ardente de Deus e que constará em forma de chama na insígnia que, como Serva de Nossa Senhora de Fátima usa ao peito como sinal da sua consagração.
Creio em Vós, Senhor
Era tarde. Entrei na Igreja
À hora do sol poente,
que eleva a Deus e ao recolhimento.
A luz era incandescente,
delicioso momento
P’ra oração vespertina,
os vitrais, feixes de luz,
em ondas de colorido,
Iluminavam a cruz.
Ajoelhei esmagada
Por beleza tão divina!
Imóvel e absorta só em Deus,
Envolta em poalha fina,
Puro reflexo dos céus,
Mergulhei no infinito.
Transbordando de amor,
Minha alma murmurou:
Eu creio em Vós, Senhor!
E fiquei silenciosa
Ali, junto ao altar
Mas repeti: Eu creio em Vós, Senhor!
Que por tanto me amar
Morreste imerso em dor.
A luz ia declinando.
Apagavam-se os vitrais.
Pareciam sombras fugitivas
Nas abóbadas claustrais.
Saí. A noite caía
E a lua despontava
No meu coração paz e alegria.
Senti que rejubilar.
E, a meia voz, dizia
Em vibração sempre ardente:
Senhor, eu creio em Vós!
Que estais no Céu e na terra
Presente, junto de nós!
15 de março de 2025
As folhas pautadas, amareladas pelo tempo, escritas por Luiza Andaluz a tinta-da-china, mostram-nos a lista, com data e respetiva numeração segundo a ordem de entrada, dos nomes destas primeiras companheiras – algumas que se associaram no dia da peregrinação à Cova da Iria para colocar sob a proteção da Virgem Maria a obra nascente; outras, dias depois aquando do retiro espiritual em ordem ao início da vida em comum; outras, apenas no dia de ‘arranque’ da obra e outras, ainda, ingressadas posteriormente. Todas – mesmo as que, mais tarde, deixaram esta família – animadas pelo mesmo kharisma, foram elas mesmas, na sua diversidade, contributo a esse mesmo espírito e construíram, cada uma a seu modo, a congregação e a história que ela ajudou a escrever.
























