Julho
2024
Nossa Senhora do Carmo
Escultura de vulto pleno em cerâmica, representando Nossa Senhora do Carmo ou Nossa Senhora do Monte Carmelo. Nossa Senhora apresenta-se vestida de castanho, com capa branca, evocando o hábito da Ordem do Carmo, a segurar no braço esquerdo o Menino Jesus e na mão direita o escapulário. Esta imagem encontra-se na capela do Convento das Capuchas, à direita do altar-mor. Foi encomendada por Luiza Andaluz e pela Ir. Maria José Falcão numa fábrica em Roma, em 1925 (cf. História da Congregação. Lucerna, 2020, § 442).
É a 15 de agosto de 1915, após a entrada de Eugénia – irmã e confidente de Luiza Andaluz – para o Carmelo da Imaculada Conceição de Barañain (Espanha), e aquando da sua tomada de hábito, que Luiza tem uma forte experiência interior, desejando, a partir desse momento, também ingressar na Ordem das Carmelitas Descalças.
Não sendo possível a sua entrada naquele ano, Luiza tornará ao Carmelo todos os verões durante sete anos seguidos, até compreender a sua vocação fora do mosteiro. No decurso desses anos, ela desenvolve uma relação de grande confiança e familiaridade com a comunidade carmelita e nutre a sua intimidade com Deus na ambiência do Carmelo, que tem na Virgem Maria a sua protetora, irmã e rainha.
A iconografia de Nossa Senhora do Carmo, tal como a conhecemos hoje, também intitulada ‘Senhora do Escapulário’, data do século XVI. Ela apresenta a Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo, mostrando-se como Mãe do Salvador. Tanto o Menino Jesus como Nossa Senhora estão coroados, sendo Ele o Rei do Universo, e ela a Rainha que conduz para Ele.
Há outros dois elementos particulares desta iconografia que decorrem de duas visões marianas, ambas ligadas à Ordem do Carmo. O primeiro, é o escapulário, entregue por Nossa Senhora a São Simão Stock (séc. XII), um carmelita inglês, numa visão, em resposta à sua ardente súplica por ajuda num momento de grande dificuldade. O escapulário compõe-se de duas peças ligadas entre si, a usar, uma sobre o peito e outra nas costas, como símbolo de proteção. Disse-lhe Nossa Senhora: «Este será o privilégio para ti e para todos os carmelitas: o que morrer com ele não padecerá o fogo eterno», prometendo assim o auxílio da graça para salvação eterna. Na escultura em destaque, uma das partes do escapulário tem o tradicional monograma mariano sobre fundo branco, e a outra o escudo da Ordem dos Carmelitas Descalços, sobre fundo vermelho escuro. O segundo elemento é a capa branca, significando o “privilégio sabatino” ou o resgate do purgatório, baseado numa alegada visão do Papa João XXII (séc. XIV).
Categoria: Escultura
Designação: Nossa Senhora do Carmo
Data: Século XX (1925?)
Dimensões: 130 x 33 x 33 cm
Localização: Capela do Convento das Capuchas